• Leonardo Soares

Eu, você e a crise do país!

Atualizado: Abr 12

Nesse momento de descrença e desconfiança, o que fazer?


Crise pandêmica, instabilidade política, economia em baixa, enfim, um verdadeiro caos no cenário cotidiano do país. Nesse momento de descrença e desconfiança, o que podemos fazer, em nosso cotidiano, para tentar reverter esse quadro?

Seria bem difícil não estarmos incomodados com o cenário político do país. Nesses últimos anos, vivemos uma situação política que assusta até mesmo os cientistas políticos mais experientes. Já foi publicado um comentário cômico que representa bem esse momento. Ele dizia o seguinte:


“Coitado dos historiadores do futuro, que terão que arrumar uma forma de explicar essa bagunça toda que está acontecendo agora”.

Nesse sentido, pode ser interessante refletir sobre o que podemos fazer, dentro das nossas limitações pessoais e dentro da nossa área de influência, para tentar mudar esse quadro no curto, médio e no logo prazo. Pensarmos em curto, médio e longo prazo estabelece que temos ações diferentes e dimensões diferentes a serem tratadas.

Por exemplo, o que podemos definir como ações de curto prazo? São aquelas ações de defesa da nossa ideologia política frente àquilo que consideramos ser errado, injusto, antiético ou imoral. Pegando o exemplo mais recente, se o presidente da república (independente do partido) age contra a nação sendo conivente com a corrupção, é lícito e necessário que a população se mobilize para uma rápida mudança de curto prazo. Nesse caso, manifestações, referendos, pressão enquanto eleitorado, debates e utilização de mídias sociais podem e devem ser utilizadas para garantir uma mudança rápida do cenário político.

Agora, e com todo cuidado que comento sobre isso, essas ações são reativas e não garantem, necessariamente, que o problema está resolvido. Nesse sentido, ações de médio e longo prazo devam ser implementadas para que não seja necessária a intervenção de curto prazo. Acredito que uma opção mais interessante é ser proativo, em vez de reativo. E, neste caso, podemos pensar em questões como novas leis, reforma política, instrumentos de acompanhamento e controle etc.

Agora, eu gostaria de trazer algo que seja possível de ser feito na dimensão individual e cotidiana. Algo que não dependa do outro, dos partidos ou da instituição política, mas unicamente de nós mesmos. Eu parto de uma ideia que é defendida pelo historiador Leandro Karnal e que diz o seguinte:


"Não há governo corrupto em uma nação ética!"

Veja que interessante: não há governo corrupto em uma nação ética.

Essa afirmação passa pela premissa de que a corrupção política é mais visível no dia a dia, mas não é a única forma de corrupção. O grande problema é que a lei de Gerson, o jeitinho brasileiro e a corrupção se encontram em várias dimensões do nosso cotidiano e não é somente na dimensão política. Pense no seguinte: você assiste a todos os problemas da política, toda a corrupção que acontece por meio das telas do seu computador, do seu smartphone ou da sua televisão. Esses são os instrumentos que a maior parte das pessoas se utiliza para acompanhar o que acontece.

Então, imagine que todas essas telas, do seu computador, do seu smartphone, da sua Tv, se todas essas telas se transformassem em um espelho. O que você acha que seria refletido? O que essa metáfora quer dizer? Em que medida a corrupção também não está inserida em nosso cotidiano? De que forma estamos contribuído para um entendimento de que levar vantagem é o que importa? Em que medida o nosso governo não é um reflexo ampliado do que somos em nosso dia a dia?

Quando eu faço essa pergunta, eu quero chamar a atenção para a banalização da corrupção. Não estou defendendo aqui um falso moralismo, mas é fácil observar que o sentimento de impunidade é construído em nosso dia a dia. Você pode observar isso quando um funcionário pega uma resma de papel escondido em seu trabalho para entregar na escola do filho, quando alguém frauda o imposto de renda, quando usam a faixa exclusiva de ônibus ou quando ultrapassam pelo acostamento, quando tiram atestados médicos falsos para faltar ao trabalho e em várias situações que enxergamos em nosso cotidiano e que são a base para a construção de um sentimento de que o correto é aquele que leva vantagem e que a punição é algo que não se deve ser temida. E não é isso que enxergamos na política? Onde o interesse privado é mais importante do que o interesse público?

Acredito que, no médio e no longo prazo, temos que dar um belo exemplo para a próxima geração, para essa criançada que está chegando agora. Temos que ter coerência com o que defendemos. Fica difícil exigirmos uma atitude correta do governo se não agimos corretamente a partir dos valores que defendemos. E compreendo que agir corretamente e coerentemente com os nossos valores e em respeito à nossa sociedade serve para qualquer bandeira, partido ou ideologia partidária.

Um grande abraço!


Autor: Leonardo Humberto Soares

​Doutor e Mestre em Educação pela Universidade Católica de Brasília; Especialista em Educação a Distância, Gestão Empresarial e Desenvolvimento de Software Livre. Graduado em História e com experiência profissional em análise de sistemas. Professor no Ensino Superior há mais de 15 anos; Professor da cadeira de TI da pós-graduação lato sensu em Gestão Empresarial (UniCEUB). Membro participante do Grupo de Pesquisa “Cartografias dos Territórios de Aprendizagem”, financiado pelo CNPQ; Membro fundador do projeto “Esquina do Pensamento” e do "Projeto Colaborar". Assessor Pleno da frente de gestão da União Marista do Brasil. Autor de artigos e publicações sobre educação.

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5255478428345110


3 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo