Sua mãe foi suficientemente boa?

Ouvindo: "Vida num segundo", Zimbra.

Escute em: https://spoti.fi/3htW0Yb



Ontem foi Dia das Mães (parabéns!!!) e eu não consigo esquecer deste conceito proposto por Winnicott. Eu sempre achei curioso o uso do termo “suficientemente boa” e, antes de pensar na definição acadêmica da coisa, eu ficava imaginando como isso poderia ser entendido. O que seria uma mãe suficientemente boa?


Dê um passeio nas postagens de ontem nas redes sociais e veja o que era suficientemente bom para cada uma das pessoas que você segue. Amor, cuidado, dedicação são temas bem recorrentes. E cada um fala isso de um jeito, com uma intensidade. Cada um teve o seu suficiente para chegar até aqui.


Winnicott dizia o seguinte:


A mãe suficientemente boa é aquela que “durante os primeiros meses de vida do filho, identifica-se estreitamente com ele, e que, na teoria, adapta-se perfeitamente a suas necessidades” (NASIO, 1995, p186).

Cuidados com alimentação, higiene, segurança... tudo isso entra aqui. E, talvez o mais importante, a necessidade da criança de sentir amor, ser acolhida. A mãe suficientemente boa é aquela que faz isso na medida da necessidade de cada criança, especificamente, permitindo que ela se desenvolva e cresça saudável física e psicologicamente.


O negócio é que não consigo achar isso pouca coisa. Às vezes acho que o termo “suficientemente boa” proposto por Winnicott seja um pouco injusto. Desculpa, Winnicott. Mas a mãe que faz isso tudo é uma mãe superlativamente boa. Ainda mais quando a gente lembra que essa mãe além de mão precisa ser profissional, esposa, filha, faxineira, cozinheira, empreendedora, professora, economista, psicóloga e uma infinidade de outros papéis, volto a dizer: desculpa, Winnicott, me sinto no direito de rever seu termo.


Não quero romantizar nenhuma condição adversa que as mães vivem. Não quero dizer que estar em todos esses papéis é uma superação, a prova de que são super, coisa e tal. Não mesmo. Enquanto filho, eu só quero reconhecer o papel de superlativamente boa que as mães têm. E, no exercício dos demais papéis que me cabem, pedir perdão por todas as dificuldades extras que elas encontram, seja por estarem sozinhas na missão (mães solo, mães solteiras, mães viúvas de maridos presentes e outras tantas), seja pela condição social muitas vezes perversa a que são submetidas.


À você, mãe superlativamente boa, minha eterna gratidão. Parabéns por todos os seus dias!

Autor: Marcone de Souza Marques Psicólogo - CRP 01/15953

Psicólogo formado pelo UniCEUB em 2008, trabalhou com Psicologia Organizacional nos segmentos de Gestão do Conhecimento, Treinamento e Desenvolvimento e na elaboração de soluções e estratégias de capacitação para diversos públicos. ​Sua atuação na área clínica, especialmente dirigida a adolescentes e adultos, motivou a busca por uma especialização em Teoria Psicanalítica, com vistas a ampliação de seu escopo teórico e qualificação de sua prática clínica. Também se dedica ao estudo de outras abordagens, como a Psicologia Analítica de Jung e a Teoria da Subjetividade de Fernando González Rey.

Linkedin: https://www.linkedin.com/in/marcone-marques-327728a6


Referências:


NASIO, J.-D. Introdução às Obras de Freud, Ferenczi, Groddeck, Klein, Winnicott, Dolto, Lacan. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.

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